carta aberta de um empreendedor ansioso

Eu tenho depressão.

Por mais direto que isso possa parecer pra voce, pra mim foi um processo imenso me preparar para assumir isso para as pessoas, escrever em um post, e ter coragem de publicar.

O interessante é que eu começo analisando até esse fato (e quem me conhece mais profundamente sabe que eu fico analisando os detalhes das coisas), e percebo que é uma luta imensa contra meu proprio ego.

Pode parecer esquisito mas, ter medo de assumir suas limitações é também, um traço do nosso ego suplantando a gente mesmo.

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores
;

Trecho do Poema “Se” do Rudyard Kipling.

Eu me lembro quando minha crise (existencial? metafisica? depressiva? ansiosa?) começou.
É obvio, não tem um dia correto, mas lembro do período. Não pretendo entrar em detalhes sobre isso, so quero ressaltar que é meio claro o processo de passagem para uma crise.

Na verdade, lembro bem que nunca tive uma auto estima lá daquelas que valesse a pena escrever uma ode mas me perceber como um adulto responsável e não estar dando conta é um tapa na cara.

Lembro de momentos curiosos de instrospeção, solidão e melancolia.

Me lembro de um momento, ainda na adolescência quando escrevi um texto sobre mim é foi sincero demais e eu apaguei.

Nevermind...

Dito isso.

Não é fácil empreender tendo ansiedade e depressão.

Na verdade, nada é fácil nessas circunstâncias.

Sinto, pra mim, como se tivesse comigo um hospede inconveniente que está sempre aqui, do meu lado, so pra me criticar.

Pra quem precisa de um exemplo mais próximo. Sabe quando citam que o governo é aquele sócio que não ajuda, so atrapalha e ainda no final do mês cobra sua parte nos lucros, então, é isso.

Ou como se a gente visse tudo por um filtro meio errado, embaçado, todo sépia, como se a gente tivesse usando óculos com graus errados e tingido de uma cor que a gente odeia.

Além do que o que outras pessoas já escreveram sobre o assunto, e que provavelmente você também já leu por ai, sinto que tudo o que eu quero/tenho que produzir, parte de um estado de “pra que”.

Fiz um esforço para criar esse projeto.

Para escrever esse texto.

Para começar as coisas.

E isso não é um desabafo, nem um reclamação, nem uma explicação.

É uma forma de compartilhar um aspecto muito pessoal de mim.

E mostrar, pra você, que talvez também tenha que lidar com alguma circunstância muito especifica, que tá tudo bem.

A gente continua,
passo a passo,
dia a dia,
um pouquinho de cada vez.

Dando mais uma chance pra vida.

So por hoje.

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