de onde eu vim?

Meu primeiro trabalho foi limpar chapas.
Eu comecei a trabalhar como menor aprendiz, tinha 16 anos.
Essa história é bem longa e não vou dar muitos detalhes, — espero que o pessoal do LinkedIn não estranhe o jeito esquisito que eu escrevo.
Eu trabalhava em uma editora e meu primeiro trabalho era limpar chapas de metal anodizado (sim, detalhes técnicos, eu sou meio nerd mesmo), específicos para indústria gráfica.
Limpava chapas sujas de tinta das impressoras offset planas Roland Prática e algumas pequenas de Multilith.
Chegava, trocava de roupa, colocava meu avental, tirava todos os papéis sujos de tinta dos tambores dos impressores e as aparas de refile de papel da guilhotina, depois, descia ate uma casinha, lá nos fundos, e limpava chapas.
Eu ganhava uma bolsa auxílio de 60% de um salário mínimo de 240 reais pra limpar chapas sujas.
Lembro a primeira vez que me mostraram o que eu tinha que fazer, era muita chapa, muito trabalho, tinta já seca de dias, que com certeza não ia sair.
Mas eu fiz como me mandaram, achei que era um desafio.
Aprendi muito ali.
Comecei limpando.
Fiz um pouco de acabamento, arte final, past-up (literalmente diagramar na mão usando material transparente, tesouras, estilete e fita adesiva), ainda menor aprendiz aprendi a fazer cálculo de papel, conheci os formatos e liberava para produção as Ordens de Serviço para os impressores, sentava na sala do gerente.
Foi um dos melhores ambientes de trabalho, não pelo trabalho.
Com 18 ouvi que as pessoas me respeitavam.
Nada de mais, era só que as pessoas tinham a noção de que eu trabalhava bem e gostava de ajudar, por isso todo mundo gostava de mim.
Nao tô fazendo esse post como uma crítica, nem ao menos como um elogio a atividades que eu com certeza não deixaria meu filho fazer.
Eu vi o post da Ana Paula Rodrigues e lembrei da minha experiência.
Foi pesado.
Lembro que fazia curso com outros menores aprendizes e nenhum reclamava de cansaço, só eu.
Todos trabalhavam sentados ou tirando xerox.
Mas, do que eu me recordo, nenhum continuou, e olha que tinham boas oportunidades, BB, Itaipu, Bradesco, etc.
Falo sobre uma empresa (não a instituição, e sim as pessoas que a representam) e sua cultura.
Respeito e admiração é o que eu sinto por todo mundo daquele chão de fabrica.
E sou muito grato pelas experiências que tive.

p.s.: Esse é o post da Ana, não que o meu tenha a ver com o dela, mas li e fiquei inspirado https://lnkd.in/d7AMmMn

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